BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sobre o amor, mais uma vez.

Apesar de nunca ter vivido grandes desilusões amorosas ou ter estado na boa e velha "fossa", sempre me julgaram uma romântica incurável, sonhadora e sentimental demais. Sou um bocado dessas coisas, verdade, mas não vivo em ilusões, como a maioria das pessoas que ganha tais adjetivos.

Acredito no amor. Pensará alguém, talvez, que digo isso com a boca cheia porque tenho um namorado e porque mantenho um (excelente) relacionamento há pouco mais de um ano. Mas já tive essa convicção antes, e teria mesmo se continuasse solteira. Não devemos abrir mão de nada nessa vida, menos ainda do amor.

Me incomoda muito ouvir alguém dizer que já "amou" outra pessoa, ou que o amor de fulano acabou-se com o tempo. Sinto em dizer, mas não fora o amor que acabou. O que acabou foi a vontade que um tinha de ver o outro, o desejo mútio, e a paciência para se conviver e aceitar um ao outro, com suas qualidades sobressalentes e seus defeitos petulantes. Acabou-se o assunto da conversa, o anseio pelos carinhos, ou até mesmo foram os carinhos que se acabaram. Vieram, em seus lugares, a frieza, a indiferença, a dissimulação, o cotidiano ferrenho, a rotina e o desapego. Mas o amor, este nunca foi embora, porque sequer tinha chegado lá.

Amor não é ioiô, não é elástico nem é peça de roupa que você tira-e-bota. Amor é como cola Super Bonder, sendo que demora mais que cinco segundos pra "grudar" no outro. Amor vem pra ficar, e fica. O amor é pungente, sólido, maciço, tátil, refinado, indivisível, uniforme. Por ser tão único, o amor (de fato) só acontece uma vez, a fim de não "desacontecer". Procure em seus Aurélios a palavra "desamor". No Google, sim, encontraremos uma definição bonita e plausível desse verbete coloquial inventado pela atualidade, que significa o "contrário do amor". Dizem ainda que aquele ou aquilo que fora amado chama-se "desamado", ou até "mal-amado".

Drummond, no célebre poema "Quero", fez menção ao contrário do amor (se esse pudesse existir), no último verso de sua última estrofe, que diz:

"Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de desentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor."

Concluindo meu pensamento, "desamor" ou qualquer sentido contrário do amor não existe. Existe o amor, e ponto final. E nada dizer que "amei" você, que "fui amado" ou que o amor deu-se o fim. Aprenda a dar nome aos bois: isso se chama PAIXÃO, ou algo tão fútil e bobalhão como ela. Sim, já tive paixões, e não me arrependo de nenhuma delas. Mas a convicção plena do amor não se equipara às paixões. Prefiro mil vezes a calmaria e o mormaço do amor que o rush e a adrenalina das paixões.

0 comentários: