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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Entendendo, ou tentando entender.

Estou a poucos dias de prestar vestibular pra de Medicina, o qual hoje julgo ser o curso que mais desejo. Já quis (na verdade, ainda quero, mas só um pouquinho) Letras também, e em outros momentos, Odontologia, Fisioterapia e antes de todos, Psicologia.

Descobri que Psicologia não era lá o que eu queria de verdade porque a minha interação com os pacientes não seria tão intensa, visto que existe outro profissional - o psiquiatra - que exerce a mesma função que eu, provavelmente melhor, e que tem acesso a todo e qualquer medicamento que possa melhorar a vida daquele que me procurou. Além do mais, um psiquiatra consegue entender melhor os problemas e detectar patologias graças à sua experiência.

Talvez esse fato tenha me feito escolher Medicina. Psicologia é lindo, mas Psiquiatria é o triplo de bom. Não condeno psicólogos, de forma alguma. Tenho amigos psicólogos, claro, e acho o trabalho deles algo incrível. Mas admiro bastante a Psiquiatria, e como ela confunde-se e se auto-explica ao mesmo tempo. Psiquiatria é bárbaro, e faz meus olhos encherem de lágrimas.

Antes de pensar tanto sobre Psiquiatria, Neurologia era o ramo da minha vida. Quero dizer, Neurocirurgia. E não vou mentir que acho a coisa mais linda do mundo um escalpo aberto (vi pela primeira vez no ano passado, no IML e fiquei louca pra sair mexendo...). Nesse ano, lembro da minha empolgação na primeira semana na faculdade de Biomedicina, quando conhecíamos o laboratório de Anatomia e encontrei três cérebros guardados no formol. Meti os joelhos no chão e fiquei tentando ver de um lado ou de outro aquele órgão tão extraordinário. Não abri repentinamente o tupperware porque não queria levar bronca da professora logo no início - embora ela não tivesse dito para que não abríssemos nada...

Então, por que decidi abandonar a idéia de Neurocirurgia? Acontece que quero ter tempo pra minha família, pro meu esposo lindo, pros meus filhos, pro Yorkshire que eu vou criar, pros meus pais, pros meus irmãos, pros meus amigos, pros meus sogros... E quem opta por Neurocirurgia praticamente obstina-se à vida comum. É uma profissão belíssima (além de ser o ramo mais difícil de se entrar de toda a Medicina - que já é difícil por vida), mas mais belo que tudo isso é a minha paz. E não quero entrar no curso dos meus sonhos pra me estressar mais ainda. Só eu sei o stress que é para entrar. Se depois que sair, esse stress continuar, aí é dose, né? Kkkkkk.

Sei que só é possível saber com certeza que rumo tomar na Medicina depois do sexto ou sétimo período, mas enquanto fico tentando entrar, penso que me inclinarei à Psiquiatria. Quando era mais nova e pensava em cursar Psicologia, era porque tinha um desejo-mór de entender (ou ao menos tentar entender) o que se passa na cabeça das pessoas. Entendendo a maquinaria de cada um, eu poderia auxiliar estas nos possíveis problemas que apareceram ou aparecerão, cedo ou tarde. Verdade é que ninguém é normal, nem mesmo Psicólogos ou Psiquiatras. Mas, novamente, meu altruísmo falava mais alto e eu queria tanto-tanto-tanto saber mais das pessoas, do seu interior, dos seus problemas, das suas aflições...

Até hoje penso desse jeito. De uns anos pra cá, me tornei dez vezes mais observadora, e cinco vezes mais paciente. É a maturidade chegando, eu sei, mas também deve ser o ímpeto de atentar para cada movimento das pessoas e entender o porquê de terem feito este. Engraçado, né? Pra mim, é lindo. Pra outros, pode parecer que quero brincar de Lego com os seres humanos e manipulá-los (acredite, há quem pense que Psiquiatras existem por uma vontade obscura de ser Deus. Aliás, pensa-se que todo médico tem complexo de Deus. E isso é mentira.).

Mas quanto mais me encanto por querer saber do interior encefálico das pessoas, mais me confundo (afinal, o ensino superior carece aqui!) para entendê-las. Mas tento, e tento com tanto afinco que, por vezes, acho que entendi alguma coisa. Ou não. Penso também que é melhor eu tratar de me entender primeiro pra depois me haver com outros fulanos.

Ainda assim, a teimosia (característica marcante dessa que vos escreve) não sai de mim, e insisto em avaliar meticulosamente algumas pessoas e o porquê de fazer tantas burradas, uma sobre outra. E onde pode-se errar mais, senão em relacionamentos?

Já declarei em outros textos que lamento imensamente o fato da maioria das pessoas não pensar no amor de forma meio realista (sem ser cruel e insípida) e meio romântica (sem ser melosa e abestalhada) como eu penso. Não, definitivamente não quero que ninguém pense como eu, mas seria legal se as pessoas fossem um pouco mais sensatas quando em vez. Porque, vou te contar, dos relacionamentos que encontro, sempre acontece algo assim: Fulana se apaixona perdidamente por Sicrano. Sabe-se Deus porque, o namoro acaba e o amor termina. Fulana, ainda amargurada, sai em busca de outra pessoa, e se encontra com Beltrano. "Ah, esse sim é o amor da minha vida", diz em poucas semanas de relacionamento. Até que esse termina também. E lá vai Fulana, duplamente amargurada, em busca de um terceiro, pra chamar de seu e declarar todo o amor culminado pelos dois anteriores. Daí, surpreendentemente, o namoro acaba. O que fulana faz? Se acaba em lágrimas e declara ódio aos homens, porque nenhum deles consegue compreender a sua essência, a sua "Fulana" interior, aquela que sonha, que é menina, que ri alto e que blá-blá-blá..

O problema, querida, não está neles: está em você. Quando um dos meus outros namoros estava terminando (em meados de 2006, com André), percebi uma verdade absurda, e que hoje é reza certa na minha cartilha: Para amarmos outra pessoa, é preciso que nos amemos primeiramente. Mas parece óbvio, não? Se não gostarmos de nós mesmos, se não nos aceitarmos por completo, como querer que outrém o faça? Isso não é segredo! Aliás, bons relacionamentos não têm segredo. Não existe bem uma receita de bolo pra fazer um namoro dar certo, existe a boa mão de uma cozinheira que queira que aquilo dê certo.

Podem achar pedante da minha parte falar de um namoro que deu/dá certo, mas, poxa, eu vivo um namoro desses. E sabe outra característica de relacionamentos de sucesso? Não depender do outro pra viver, ou pra fazer qualquer coisa. Até a confirmação do relacionamento em si (casamento, ou coisa do tipo), não queira tornar duas pessoas uma só. Seja você, e deixe que ele seja ele, até quando ele quiser que seja. Homens gostam de mulheres independentes, que não são grudentas e que não ficam dizendo "você é o motivo porquê vivo, sem você não existo". Homens gostam de mulheres autônomas, que fazem o que querem e porquê querem, sem se importar com opiniões alheias. E homem também não gosta de mulher subordinada, daquele tipo que precisa pedir pra ir pra algum canto. Isso eu peço aos meus pais. Ao meu namorado, não.

Além disso, existem outros pontos que compõem a base de qualquer relacionamento. Essa ladainha eu já ouvi de muitas pessoas, mas lembro da última vez (a mais convincente, aliás) que escutei isso. Foram os meus sogros que falaram, em especial, o meu sogrinho. Estávamos indo pra casa deles, e eu falava de relacionamentos também (taí um assunto muito bom pra se conversar...), e perguntei a eles o segredo de um casamento tão bonito, tão unido e forte como o deles. A mãe do meu amor, D. Margarete, falou disso e daquilo, exemplificando e gesticulando, como lhe é característico, mas quando Sr. Luiz abriu a boca pra falar de sentimentos e afins (coisa não muito comum), as vozes do carro se calaram pra escutar suas palavras, que eram parecidas com essas:

"Raissa, num casamento, é preciso sempre ter bastante paciência. Um casamento requer muitas renúncias. Várias vezes você terá de deixar de fazer algo por você pra fazer outra coisa pelo seu companheiro. É preciso entender, ter senso de auto-crítica, saber quando errou... E principalmente, perdoar e saber como pedir perdão. É comum errar em qualquer relacionamento, mas é importante, muito importante saber se redimir do seu erro."

Pensando assim, algum pessimista pode dizer: "Ah, casar é problemático e difícil demais, não quero isso pra mim". Mas, veja só: o namoro é um pouco parecido com o casamento. E faço-lhes outra ressalva: Todas essas manobras que um marido e uma mulher fazem em prol do seu casamento são executadas a partir de uma mente que pensa por dois e de um coração que ama, e que faz mais pelo outro que por si mesmo. Se existe amor, nada é tão difícil.

Então, qual o problema? As pessoas hoje dizem mais "eu te amo" que "bom dia". Se as pessoas (aparentemente) se "amam" tanto, porque ainda assim é difícil a manutenção de um relacionamento?

Em primeiro lugar, você deve tentar identificar aquilo que você sente. É amor mesmo? Tem certeza disso? A contar por mim, já chamei muitas paixões de "amor", e só no final eu pude compreender o porquê daquilo acontecer. Note bem que a paixão é avassaladora, e que a presença daquele que faz teu coração bater mais forte caracteriza um aumento considerável nos teus níveis de adrenalina, te fazendo suar frio, sentir "borboletas" no estômago e os joelhos tremendo... E como a sua reação corporal (e comportamental) é forte e brusca, você pensa que aquilo é amor, porque a sociedade nos fez pensar o amor é algo novo, totalmente diferente e intenso, que vai arrancar de ti todas as forças, por conta do que se sente por outra pessoa. O próprio dicionário nos diz, erroneamente, que amor é sinônimo de paixão. E escrevo aqui com todas as letras que sou capaz de encarar qualquer Aurélio ou Michaellis pra provar por "a + b" que paixão e amor distam léguas em sentido.

Em segundo lugar, todo e qualquer relacionamento requer uma palavrinha chamada respeito. Respeito, em primeiro lugar, por si mesmo, e depois pela outra pessoa. Dentro do conceito dessa palavra, coloque novamente o valor "amor-próprio", afinal, respeito depende de amor-próprio, e vice-versa.

Se no seu relacionamento, esses valores faltam, das duas, uma: ou ele estará fadado ao fracasso, ou o mais forte prevalecerá sobre o mais fraco, fazendo do segundo um (como se diz na gíria) "dominado" e subordinado, que precisa pedir permissão ao "amor" pra fazer tal coisa, ou esperar o maridão dormir pra poder dar uma escapadinha e respirar outro ar que não seja o do seu apartamento.

Ainda há tempo de mudar. Somos jovens, e o Brasil ainda é nosso. Se alguém teve a paciência de ler isso aqui, espero que essas palavras tenham te feito ser alguém melhor, e quem sabe mais sensato nos quesitos amorosos. Procurem sempre melhorar, sem se contentar completamente com o quê são. Busquem sempre mais, o infinito, se esse for possível. E ainda se não for, continue buscando-o mesmo assim. Mas nunca se deixe estagnar. Um relacionamento parado é um relacionamento anseando pelo fim. Lembre-se disso, afinal, provavelmente já aconteceu algo assim no teu passado, correto?

Existem outros mil detalhes a se comentar, claro. O amor é um assunto tão gostoso e extenso de se falar...Digo aqui pra quem quiser ler: evite pessoas dissimuladas, infantis, dependentes... Ah, vou fazer melhor. Leia os meus três últimos textos, e entenda melhor do que falo.


Uma boa manhã de quinta pra todos, com corações apaixonados ou despedaçados.

Ao meu Pinguas, um beijo estalado nas minhas bochechas favoritas. Amo você, Pipes.

PS.: Amanhã comemoraremos 11 meses de namoro, tô tão feliz. ^^


Beijos a todos.

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