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domingo, 24 de janeiro de 2010

Como nos conhecemos.

Amigos e familiares vez em quando perguntam como conheci Talles, e como se desenvolveu a nossa amizade até chegar a um namoro. Não responderei ambas perguntas, por não querer formar uma resposta tão extensa. Mas responderei aqui a pergunta que acabaram de me fazer no meu Formspring: "Como você conheceu o seu namorado?"

No ano de 2008, decidi fazer um cursinho de nome NEA, do GEO. As aulas iriam começar logo no início de fevereiro, então, até o dia das aulas, eu estava ajudando minha mãe com as coisas do dia-a-dia (comprar isso e aquilo, arrumar coisas na casa, fazer pagamentos...).

Fomos à feira do Bairro dos Estados. Minha mãe estacionou o carro perto de algum estabelecimento para onde iria, e disse para que eu ficasse lá, porque seria rápido. Enquanto eu esperava, descansei o olhar pra qualquer canto, e percebi um rapaz descendo umas escadas dali perto. Era uma academia, e as suas vestes denunciavam tal localização. Ele era muito bonito, e me chamou a atenção. Tinha no rosto um semblante sério, quase que triste, e não olhava pra lugar nenhum que não fosse sua fronte.

Lembro que virei o pescoço para vê-lo passar por trás do carro e seguir o seu caminho. Até que o perdi de vista. Daí, foi o tempo que a minha mãe voltou, e saímos novamente. Voltei pra casa, e pensei naquele garoto por uns dois dias. Já fazia um bom tempo que eu não via pessoas tão bonitas na minha cidade.

Duas semanas depois, se não me falha a memória, iriam começar as aulas do NEA, no período da tarde. Na terça-feira, pela manhã, acompanhei minha mãe nos seus afazeres rotineiros, e voltamos ao mesmo lugar, no bairro dos Estados. Ela estacionou o carro no mesmo lugar, e fez o mesmo pedido para que eu ficasse, pois ela voltaria logo. Lembrei do garoto da escadaria, e olhei algumas vezes pra ver se ele desceria novamente por aquela escada, numa feliz coincidência.

Desisti, afinal, seria coincidência demais vê-lo outra vez tão facilmente, duas semanas depois. Talvez ele nem fosse daqui. Talvez fosse primo de um ou de outro, talvez estivesse passando férias, talvez, talvez. Desencantada, me deitei no banco e olhei pro nada. De repente, minha visão se fixou no retrovisor esquerdo do carro, e vi de relance uma silhueta masculina passar por aquele vidro salpicado de chuva. Virei o tronco para trás, e avistei ele, novamente. Short e regata, com o mesmo semblante, o mesmo modo de andar e o mesmo olhar retilíneo.

Acompanhei cada subir de degraus com os olhos, e talvez com a boca aberta, até que ele entrou na academia. Por momento nenhum, quis que ele me notasse. Eu pertencia a outro, e provavelmente ele também. Mas tinha uma beleza tão singela, daquelas de se admirar. Não o olhei com maldade nem tampouco o cobicei, mas gostava do que via, embora aquele momento tivesse durado poucos segundos.

Minha mãe retornou ao carro, e fomos para casa almoçar, pois mais tarde eu teria a minha primeira aula do NEA (havia faltado o dia anterior). Tomei banho, troquei de roupa e almocei, pensando no tal rapaz. Que coincidência. Como eu nunca havia notado-o, numa cidade tão pequena como a minha? Ele deveria frequentar os mesmos lugares que eu, então, por que nunca tinha encontrado-o em qualquer canto?

Entrei na sala, e a aula ainda não havia começado. Sentei ao lado de uma amiga, provavelmente a única conhecida naquele lugar, na segunda e na terceira cadeira da fileira do canto direito. A sala estava lotada, e lembro que não desci na hora no intervalo, pois decidi colocar os papos em dia com Lívia, pois não era certo ela continuar no cursinho.

Na quarta-feira, cheguei cerca de meia hora antes da aula, e quase ninguém havia chegado. A cada minuto, a porta de abria, e entrava ali mais um desconhecido. Até que entrou um rapaz cujo rosto não me era estranho. Estava de óculos escuros e com uma mochila em um dos ombros. O mesmo andar, o mesmo semblante, e se não fossem os óculos, diria que o olhar era unidirecional. Ele caminhou até o final da sala, jogou a bolsa em uma cadeira e sentou em outra. Tirou os óculos, guardou na mochila, apoiou o pé em uma cadeira e esperou, como todos nós, o professor chegar para a aula começar.

Agora que éramos colegas de sala, eu não poderia mais olhar pra ele, mesmo que inocentemente, afinal, provavelmente despertaria comentários desnecessários. Parei de olhá-lo, temendo que o próprio me notasse. Mas eu não sentia nada, ali, olhando para ele. Era como olhar uma escultura, uma boa pintura, um desenho vistoso. Eu admirava os traços do seu rosto, as linhas do seu pescoço, seus ombros e esquadro largos, e o corpo alto e magro. Me satisfazia vê-lo. Mas havia de me privar de tal alegria, ora, pois eu pertencia a alguém.

Passaram-se meses, e o olhava muito pouco. Mentira se dissesse que não arriscava uma olhadela discreta numa aula de slides, ou quando cruzávamos o corredor. Nunca nos olhamos, pois sempre que o olhava, tinha a cautela suficiente de verificar se ele não estava me olhando de volta. Um encontro de olhares era completamente inaceitável, pois aparentaria um flerte, e isso era tudo o que eu menos queria.

Em abril, creio eu, uma das meninas do cursinho que estava por se tornar uma amiga (Viviane) perguntou quais garotos da sala eu achava bonito. O sortimento de beleza naquele ambiente era enorme, mas somente pro lado das mulheres. Quase nenhum homem era bonito, ou simpático demais para fazer a beleza diminuir de tamanho, perto da sua personalidade cativante. Não sabia ao certo o nome de todos da sala, menos ainda dos meninos, pois falava com poucos deles. Perguntei quem era aquele que sentava lá atrás, que naquele dia estava usando uma camisa preta.

- Aquele é Talles. Ele tem namorada, viu? E a namorada dele é bonita, muito bonita.

Evidente que ele teria namorada, e que esta seria à altura dele.

- Vivi, eu também tenho namorado.

- Ah, é mesmo. Mas eles namoram há muito tempo, uns quatro anos, coisa assim. E ela é linda, mulher, tem um corpão, um cabelo enorme, bem bonito mesmo, e parece que é modelo e blá blá blá..

Desconsiderei a informação inicialmente, e depois pensei em como ela seria fisicamente, se era tão bonita quanto ele, ou se era mais. Se formavam aquele casal perfeito que todos admiravam, se tinham um relacionamento invejável, ou se discutiam por bobagens, como eu e o meu namorado, se o pai dela a proibia de saídas, como o meu, ou se ele recusava a entrar num restaurante francês porque odiava a frescura de tais lugares. No meu pensamentos, eram ambos bonitos, se completavam o suficiente e tinham um caminho traçado até o fim de suas vidas - juntos.

Naquela noite, pensei neles. Embora não fizesse idéia de como era seu rosto, figurei a tal desconhecida e deixei minha cabeça brincar de Barbies. Ilustrei situações na minha mente, e invejei sutilmente aquele relacionamento bonito. Adormeci. No dia seguinte, optei por não pensar mais nele, nela ou em ambos. Me determinei a pensar no meu namoro e a tentar fazer dele um namoro bonito de se ver, como devia ser o deles.

No mês de julho, depois de ter mudado radicalmente meu visual, passei a sentar na parte de trás da sala, porque estávamos em período de férias, e as aulas estavam mais pra balbúrdias estudantis que preparação vestibulesca. A quantidade de aulas era reduzida, professores faltavam, e o coordenador raramente aparecia. Naquela época, ele falou comigo pela primeira vez. Mas parecia que eu já o conhecia antes, de tanto vê-lo, admirá-lo e imaginá-lo com sua amada.

Acabei por deixar meus pensamentos se confundirem, e tomei uma certa liberdade nos primeiros contatos com ele. Conversávamos sempre, e em pouco tempo, criamos um vínculo de amizade, a ponto de conversar sobre os nossos relacionamentos. Nessa época, o namoro dele era o contrário da imagem que eu formulava, e ele me revelou certos problemas entre eles, segredos e confissões, e eu o fiz o mesmo, abrindo o meu coração e sendo bruscamente sincera sobre o meu atual relacionamento.

Estávamos nos entendendo. Tínhamos tanta compreensão um pelo outro porque ocupávamos lugares distintos ao lado de nossos cônjuges. Precisávamos dar um fim à situação em que nos encontrávamos, separados, para o nosso próprio bem, e aquela amizade recente nos servia de combustível para fazê-lo.

O namoro dele terminou antes do meu, que se deu fim em meados de outubro. A vida continuava, bem como a nossa amizade. Éramos um tanto inseparáveis, o que despertava comentários direcionados a cada um de nós. O contato maior deu início a rumores, e aos poucos, percebi que ele estava me olhando de uma maneira diferente da que me olhava. Demos os primeiros passos, e os nossos amigos faziam ar de contentação ao ver-nos juntos.

Os pedidos de namoro surgiram, e as negações temporárias também. Até que, em vinte de dezembro daquele ano, decidi aceitá-lo para chamar de "meu", e é por esse pronome que o chamo, até então.

domingo, 20 de dezembro de 2009

20/12/09

É inevitável pensar que hoje completamos um ano de namoro, sem olhar pra trás e ver como começamos. Recordo bem do dia vinte do ano anterior, de quando saímos, de quem encontramos, de quem encontrei, da falta que senti de ter você ao meu lado. Mas, claro, era tudo compreensivo, pois coincidentemente, era véspera da segunda etapa do vestibular também.

Lembro da nossa apreensão e ansiedade pra selarmos o nosso relacionamento-sem-nome. Você me pedia em namoro mil vezes, e mil vezes eu dizia 'calma, agora não', embora o que eu mais quisesse era gritar um 'SIM!' bem alto. Quis seguir os meus instintos, rezar a cartilha que eu bem conhecia, quis fazer tudo ao meu modo. Mas você veio pra mudar tanta coisa em mim, que me fez mais maleável, até para as escolhas mais delicadas.

De início, pensava que esse novo namoro não fosse ser duradouro ou sequer saudável. Eram tantas coisas acontecendo, tanto empecilhos no nosso caminho, puxando cada um pro seu lado oposto, que por muitas vezes pensei que não fosse conseguir. Nunca tivemos problemas um com o outro, mas tudo o que acontecia ao nosso redor que tendiam ao nosso fim foram bem combatidos, e cá estamos: firmes e fortes.

Tínhamos tudo pra dar errado. Você em outra cidade, mentiras vindas de outras pessoas, outras que não concordavam nem um pouco com a nossa união, burburinhos e fofocas ferrenhas.. Mas soubemos contornar tudo isso, quiçá problemas maiores, se estes de fato aparecessem no nosso relacionamento.

Vivo hoje ao teu lado um paraíso. Cada dia chega com uma nova surpresa, uma nova descoberta e um novo motivo pra me fazer te amar e te admirar mais. Você, além de ser tudo o que qualquer mulher procura em um homem, é um espelho pra mim, e guarda em si todas as qualidades que almejo.

Há uma música (bem conhecida) de Shania Twain, que se chama "You're still the one". Acordei hoje com ela na cabeça, e - engraçado -, ela se encaixa perfeitamente nessa ocasião. Antes da música começar, Shania diz: "When I first saw you, I saw love. And the first time you touched me, I felt love. And after all this time, you're still the one I love.". E foi exatamente assim que aconteceu. Era amor desde o início, tornou-se amor com o tempo e hoje, graças a você, é amor que eu transpiro.


"Parece que conseguimos;
Olhe o quão longe chegamos, meu querido
A gente pode ter pego o caminho mais longo,
Mas sabíamos que um dia chegaríamos

Eles disseram: "Eu aposto que eles nunca conseguirão"
Mas olhe como nós ainda continuamos
Continuamos juntos, e seguindo em frente

Você ainda é aquele para quem eu corro
Aquele a quem eu pertenço
Você é aquele que eu quero pra vida
Você ainda é aquele que eu amo
Aquele com quem eu sonho
Você ainda é aquele pra quem dou boa noite

Não há nada melhor:
Nós derrotamos os obstáculos juntos
Ainda bem que não os escutamos:
Olhe o que nós estaríamos perdendo

Eles disseram: "Eu aposto que eles nunca conseguirão"
Mas olhe como nós continuamos a crescer
Continuamos juntos, e seguindo em frente.

Você ainda é aquele para quem eu corro
Aquele a quem eu pertenço
Você é aquele que eu quero pra vida
Você ainda é aquele que eu amo
Aquele com quem eu sonho
Você ainda é aquele pra quem dou boa noite."


You'll always be my one-and-only. Thank you for supporting me when I need you the most, and for showing me that life's way more tasteful as long as you're here, around me. I love you, I cherish you for all my eternity. Congratulations for us. Thank you for being the best boyfriend/friend/confident/shoulder/partner and all you are for me. Last year, I asked Santa Claus for something to change my life. Well, he got that one right. You're my gift, without validity or change. You are the gift I'll always want to get from Christmas. Please, be it. And so I'll have a amazing New Year coming. I love you, and I can't no longer find more words to describe you how I feel about you, me and all we're living. I love you. That's the closer I'l ever get. I love you. I really love you.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sobre o amor, mais uma vez.

Apesar de nunca ter vivido grandes desilusões amorosas ou ter estado na boa e velha "fossa", sempre me julgaram uma romântica incurável, sonhadora e sentimental demais. Sou um bocado dessas coisas, verdade, mas não vivo em ilusões, como a maioria das pessoas que ganha tais adjetivos.

Acredito no amor. Pensará alguém, talvez, que digo isso com a boca cheia porque tenho um namorado e porque mantenho um (excelente) relacionamento há pouco mais de um ano. Mas já tive essa convicção antes, e teria mesmo se continuasse solteira. Não devemos abrir mão de nada nessa vida, menos ainda do amor.

Me incomoda muito ouvir alguém dizer que já "amou" outra pessoa, ou que o amor de fulano acabou-se com o tempo. Sinto em dizer, mas não fora o amor que acabou. O que acabou foi a vontade que um tinha de ver o outro, o desejo mútio, e a paciência para se conviver e aceitar um ao outro, com suas qualidades sobressalentes e seus defeitos petulantes. Acabou-se o assunto da conversa, o anseio pelos carinhos, ou até mesmo foram os carinhos que se acabaram. Vieram, em seus lugares, a frieza, a indiferença, a dissimulação, o cotidiano ferrenho, a rotina e o desapego. Mas o amor, este nunca foi embora, porque sequer tinha chegado lá.

Amor não é ioiô, não é elástico nem é peça de roupa que você tira-e-bota. Amor é como cola Super Bonder, sendo que demora mais que cinco segundos pra "grudar" no outro. Amor vem pra ficar, e fica. O amor é pungente, sólido, maciço, tátil, refinado, indivisível, uniforme. Por ser tão único, o amor (de fato) só acontece uma vez, a fim de não "desacontecer". Procure em seus Aurélios a palavra "desamor". No Google, sim, encontraremos uma definição bonita e plausível desse verbete coloquial inventado pela atualidade, que significa o "contrário do amor". Dizem ainda que aquele ou aquilo que fora amado chama-se "desamado", ou até "mal-amado".

Drummond, no célebre poema "Quero", fez menção ao contrário do amor (se esse pudesse existir), no último verso de sua última estrofe, que diz:

"Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de desentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor."

Concluindo meu pensamento, "desamor" ou qualquer sentido contrário do amor não existe. Existe o amor, e ponto final. E nada dizer que "amei" você, que "fui amado" ou que o amor deu-se o fim. Aprenda a dar nome aos bois: isso se chama PAIXÃO, ou algo tão fútil e bobalhão como ela. Sim, já tive paixões, e não me arrependo de nenhuma delas. Mas a convicção plena do amor não se equipara às paixões. Prefiro mil vezes a calmaria e o mormaço do amor que o rush e a adrenalina das paixões.

sábado, 21 de novembro de 2009

Não, não é amor.

"E, afinal, a quê se dá toda essa minha felicidade? Por quê esse desejo de deslizar pelos corrimãos das escadas, de saltitar galopante a cada degrau dos batentes da minha casa ou de rodopiar sem motivo no terraço vazio? De onde vem essa agonia gostosa que me tira o sono, me faz olhar pros cantos das paredes e até mesmo lá encontrar romance? Que força tem essa felicidade, meu Deus. De quê se trata, de quê se trata? Amor, eles dizem. Amor é o caralho. Amor eu sinto pelos meus cachorros, pelos meus amigos, pela minha Hello Kitty de cristal talhada em vidro. Isso tá longe de ser amor. Amor é subjacente a tudo isso. Esquisito falar, né? Parece que a gente passa a eternidade buscando a felicidade/o amor, e eis que me aparece esse sentimento que, não, não é amor. Não pode ser amor. É mais, é maior, é o triplo. Prepotente da minha parte julgar o amor pouco demais pro meu sentimento por essa "coisa" chamada Talles Thadeu Braz Bezerra. Pura prepotência e arrogância.

Que seja. Minha opinião (bem como esse sentimento - ainda - sem nome) é sólida e imutável.

Eu te [verbo]. Amar é coisa de trouxa."

(Raissa Mateus)



É, todo mundo surta quando em vez. Se é amor ou não, eu não sei mais. Mas é grande pra caramba e me faz um bem que só eu sei. De qualquer forma, EU TE AMO, meu Pinguas lindo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Entendendo, ou tentando entender.

Estou a poucos dias de prestar vestibular pra de Medicina, o qual hoje julgo ser o curso que mais desejo. Já quis (na verdade, ainda quero, mas só um pouquinho) Letras também, e em outros momentos, Odontologia, Fisioterapia e antes de todos, Psicologia.

Descobri que Psicologia não era lá o que eu queria de verdade porque a minha interação com os pacientes não seria tão intensa, visto que existe outro profissional - o psiquiatra - que exerce a mesma função que eu, provavelmente melhor, e que tem acesso a todo e qualquer medicamento que possa melhorar a vida daquele que me procurou. Além do mais, um psiquiatra consegue entender melhor os problemas e detectar patologias graças à sua experiência.

Talvez esse fato tenha me feito escolher Medicina. Psicologia é lindo, mas Psiquiatria é o triplo de bom. Não condeno psicólogos, de forma alguma. Tenho amigos psicólogos, claro, e acho o trabalho deles algo incrível. Mas admiro bastante a Psiquiatria, e como ela confunde-se e se auto-explica ao mesmo tempo. Psiquiatria é bárbaro, e faz meus olhos encherem de lágrimas.

Antes de pensar tanto sobre Psiquiatria, Neurologia era o ramo da minha vida. Quero dizer, Neurocirurgia. E não vou mentir que acho a coisa mais linda do mundo um escalpo aberto (vi pela primeira vez no ano passado, no IML e fiquei louca pra sair mexendo...). Nesse ano, lembro da minha empolgação na primeira semana na faculdade de Biomedicina, quando conhecíamos o laboratório de Anatomia e encontrei três cérebros guardados no formol. Meti os joelhos no chão e fiquei tentando ver de um lado ou de outro aquele órgão tão extraordinário. Não abri repentinamente o tupperware porque não queria levar bronca da professora logo no início - embora ela não tivesse dito para que não abríssemos nada...

Então, por que decidi abandonar a idéia de Neurocirurgia? Acontece que quero ter tempo pra minha família, pro meu esposo lindo, pros meus filhos, pro Yorkshire que eu vou criar, pros meus pais, pros meus irmãos, pros meus amigos, pros meus sogros... E quem opta por Neurocirurgia praticamente obstina-se à vida comum. É uma profissão belíssima (além de ser o ramo mais difícil de se entrar de toda a Medicina - que já é difícil por vida), mas mais belo que tudo isso é a minha paz. E não quero entrar no curso dos meus sonhos pra me estressar mais ainda. Só eu sei o stress que é para entrar. Se depois que sair, esse stress continuar, aí é dose, né? Kkkkkk.

Sei que só é possível saber com certeza que rumo tomar na Medicina depois do sexto ou sétimo período, mas enquanto fico tentando entrar, penso que me inclinarei à Psiquiatria. Quando era mais nova e pensava em cursar Psicologia, era porque tinha um desejo-mór de entender (ou ao menos tentar entender) o que se passa na cabeça das pessoas. Entendendo a maquinaria de cada um, eu poderia auxiliar estas nos possíveis problemas que apareceram ou aparecerão, cedo ou tarde. Verdade é que ninguém é normal, nem mesmo Psicólogos ou Psiquiatras. Mas, novamente, meu altruísmo falava mais alto e eu queria tanto-tanto-tanto saber mais das pessoas, do seu interior, dos seus problemas, das suas aflições...

Até hoje penso desse jeito. De uns anos pra cá, me tornei dez vezes mais observadora, e cinco vezes mais paciente. É a maturidade chegando, eu sei, mas também deve ser o ímpeto de atentar para cada movimento das pessoas e entender o porquê de terem feito este. Engraçado, né? Pra mim, é lindo. Pra outros, pode parecer que quero brincar de Lego com os seres humanos e manipulá-los (acredite, há quem pense que Psiquiatras existem por uma vontade obscura de ser Deus. Aliás, pensa-se que todo médico tem complexo de Deus. E isso é mentira.).

Mas quanto mais me encanto por querer saber do interior encefálico das pessoas, mais me confundo (afinal, o ensino superior carece aqui!) para entendê-las. Mas tento, e tento com tanto afinco que, por vezes, acho que entendi alguma coisa. Ou não. Penso também que é melhor eu tratar de me entender primeiro pra depois me haver com outros fulanos.

Ainda assim, a teimosia (característica marcante dessa que vos escreve) não sai de mim, e insisto em avaliar meticulosamente algumas pessoas e o porquê de fazer tantas burradas, uma sobre outra. E onde pode-se errar mais, senão em relacionamentos?

Já declarei em outros textos que lamento imensamente o fato da maioria das pessoas não pensar no amor de forma meio realista (sem ser cruel e insípida) e meio romântica (sem ser melosa e abestalhada) como eu penso. Não, definitivamente não quero que ninguém pense como eu, mas seria legal se as pessoas fossem um pouco mais sensatas quando em vez. Porque, vou te contar, dos relacionamentos que encontro, sempre acontece algo assim: Fulana se apaixona perdidamente por Sicrano. Sabe-se Deus porque, o namoro acaba e o amor termina. Fulana, ainda amargurada, sai em busca de outra pessoa, e se encontra com Beltrano. "Ah, esse sim é o amor da minha vida", diz em poucas semanas de relacionamento. Até que esse termina também. E lá vai Fulana, duplamente amargurada, em busca de um terceiro, pra chamar de seu e declarar todo o amor culminado pelos dois anteriores. Daí, surpreendentemente, o namoro acaba. O que fulana faz? Se acaba em lágrimas e declara ódio aos homens, porque nenhum deles consegue compreender a sua essência, a sua "Fulana" interior, aquela que sonha, que é menina, que ri alto e que blá-blá-blá..

O problema, querida, não está neles: está em você. Quando um dos meus outros namoros estava terminando (em meados de 2006, com André), percebi uma verdade absurda, e que hoje é reza certa na minha cartilha: Para amarmos outra pessoa, é preciso que nos amemos primeiramente. Mas parece óbvio, não? Se não gostarmos de nós mesmos, se não nos aceitarmos por completo, como querer que outrém o faça? Isso não é segredo! Aliás, bons relacionamentos não têm segredo. Não existe bem uma receita de bolo pra fazer um namoro dar certo, existe a boa mão de uma cozinheira que queira que aquilo dê certo.

Podem achar pedante da minha parte falar de um namoro que deu/dá certo, mas, poxa, eu vivo um namoro desses. E sabe outra característica de relacionamentos de sucesso? Não depender do outro pra viver, ou pra fazer qualquer coisa. Até a confirmação do relacionamento em si (casamento, ou coisa do tipo), não queira tornar duas pessoas uma só. Seja você, e deixe que ele seja ele, até quando ele quiser que seja. Homens gostam de mulheres independentes, que não são grudentas e que não ficam dizendo "você é o motivo porquê vivo, sem você não existo". Homens gostam de mulheres autônomas, que fazem o que querem e porquê querem, sem se importar com opiniões alheias. E homem também não gosta de mulher subordinada, daquele tipo que precisa pedir pra ir pra algum canto. Isso eu peço aos meus pais. Ao meu namorado, não.

Além disso, existem outros pontos que compõem a base de qualquer relacionamento. Essa ladainha eu já ouvi de muitas pessoas, mas lembro da última vez (a mais convincente, aliás) que escutei isso. Foram os meus sogros que falaram, em especial, o meu sogrinho. Estávamos indo pra casa deles, e eu falava de relacionamentos também (taí um assunto muito bom pra se conversar...), e perguntei a eles o segredo de um casamento tão bonito, tão unido e forte como o deles. A mãe do meu amor, D. Margarete, falou disso e daquilo, exemplificando e gesticulando, como lhe é característico, mas quando Sr. Luiz abriu a boca pra falar de sentimentos e afins (coisa não muito comum), as vozes do carro se calaram pra escutar suas palavras, que eram parecidas com essas:

"Raissa, num casamento, é preciso sempre ter bastante paciência. Um casamento requer muitas renúncias. Várias vezes você terá de deixar de fazer algo por você pra fazer outra coisa pelo seu companheiro. É preciso entender, ter senso de auto-crítica, saber quando errou... E principalmente, perdoar e saber como pedir perdão. É comum errar em qualquer relacionamento, mas é importante, muito importante saber se redimir do seu erro."

Pensando assim, algum pessimista pode dizer: "Ah, casar é problemático e difícil demais, não quero isso pra mim". Mas, veja só: o namoro é um pouco parecido com o casamento. E faço-lhes outra ressalva: Todas essas manobras que um marido e uma mulher fazem em prol do seu casamento são executadas a partir de uma mente que pensa por dois e de um coração que ama, e que faz mais pelo outro que por si mesmo. Se existe amor, nada é tão difícil.

Então, qual o problema? As pessoas hoje dizem mais "eu te amo" que "bom dia". Se as pessoas (aparentemente) se "amam" tanto, porque ainda assim é difícil a manutenção de um relacionamento?

Em primeiro lugar, você deve tentar identificar aquilo que você sente. É amor mesmo? Tem certeza disso? A contar por mim, já chamei muitas paixões de "amor", e só no final eu pude compreender o porquê daquilo acontecer. Note bem que a paixão é avassaladora, e que a presença daquele que faz teu coração bater mais forte caracteriza um aumento considerável nos teus níveis de adrenalina, te fazendo suar frio, sentir "borboletas" no estômago e os joelhos tremendo... E como a sua reação corporal (e comportamental) é forte e brusca, você pensa que aquilo é amor, porque a sociedade nos fez pensar o amor é algo novo, totalmente diferente e intenso, que vai arrancar de ti todas as forças, por conta do que se sente por outra pessoa. O próprio dicionário nos diz, erroneamente, que amor é sinônimo de paixão. E escrevo aqui com todas as letras que sou capaz de encarar qualquer Aurélio ou Michaellis pra provar por "a + b" que paixão e amor distam léguas em sentido.

Em segundo lugar, todo e qualquer relacionamento requer uma palavrinha chamada respeito. Respeito, em primeiro lugar, por si mesmo, e depois pela outra pessoa. Dentro do conceito dessa palavra, coloque novamente o valor "amor-próprio", afinal, respeito depende de amor-próprio, e vice-versa.

Se no seu relacionamento, esses valores faltam, das duas, uma: ou ele estará fadado ao fracasso, ou o mais forte prevalecerá sobre o mais fraco, fazendo do segundo um (como se diz na gíria) "dominado" e subordinado, que precisa pedir permissão ao "amor" pra fazer tal coisa, ou esperar o maridão dormir pra poder dar uma escapadinha e respirar outro ar que não seja o do seu apartamento.

Ainda há tempo de mudar. Somos jovens, e o Brasil ainda é nosso. Se alguém teve a paciência de ler isso aqui, espero que essas palavras tenham te feito ser alguém melhor, e quem sabe mais sensato nos quesitos amorosos. Procurem sempre melhorar, sem se contentar completamente com o quê são. Busquem sempre mais, o infinito, se esse for possível. E ainda se não for, continue buscando-o mesmo assim. Mas nunca se deixe estagnar. Um relacionamento parado é um relacionamento anseando pelo fim. Lembre-se disso, afinal, provavelmente já aconteceu algo assim no teu passado, correto?

Existem outros mil detalhes a se comentar, claro. O amor é um assunto tão gostoso e extenso de se falar...Digo aqui pra quem quiser ler: evite pessoas dissimuladas, infantis, dependentes... Ah, vou fazer melhor. Leia os meus três últimos textos, e entenda melhor do que falo.


Uma boa manhã de quinta pra todos, com corações apaixonados ou despedaçados.

Ao meu Pinguas, um beijo estalado nas minhas bochechas favoritas. Amo você, Pipes.

PS.: Amanhã comemoraremos 11 meses de namoro, tô tão feliz. ^^


Beijos a todos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Encontrando (e apaixonando-se por) um grande homem.

Perguntei-me tantas vezes qual será a fórmula certa para encontrar um grande homem, desses que toda mulher sonha encontrar, e que não vai deixá-la por um motivo qualquer.

Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo e dos seus problemas, sem se preocupar com você. Procure se enamorar por um homem que se interesse por você, que conheça suas qualidades, defeitos, suas ilusões, tristezas e que a ajude a superá-las.

Não creia nas palavras de um homem quando seus atos demonstram o oposto. Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor. Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte de energia.

Fuja de um homem enfermo espiritual e emocionalmente: é como um câncer, e matará tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente).

Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, ou que não se ame saudavelmente. Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais.

Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que quer, pois este não é capaz de se expressar abertamente. Não se enamore de um homem que, ao conhecê-lo, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para desfrutar.

Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque ele não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades.

Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil? Por que querer um homem que a trocará por uma mulher mais jovem, atraente, ou por um corpo mais esbelto? Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza: a do coração e alma?

Quantas vezes deixei-me levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço?

Custou-me muito compreender que GRANDE HOMEM não é aquele que chega ao topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito. Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça ou da barra da saia da mamãezinha, mas é aquele que abre seu coração sem rejeitar a realidade, é aquele que admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.

Um grande homem é o que caminha de frente sem baixar os olhos; é aquele que não mente, embora às vezes peque por falar a verdade. E, sobretudo, um grande homem é o que sabe chorar sua dor sem fugir dela.

Um Grande Homem é aquele que nunca fará sua mulher chorar, mas sim lhe arrancará sorrisos. E mais que isso, um grande homem é aquele que cai, mas tem força suficiente para se levantar e seguir lutando.

A união de um Grande Homem e um a Grande Mulher proporcionará a vivência de belos anos juntos, onde nada nem ninguém poderá vencê-los.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Lapidando o seu amor.

Se você tem um(a) namorado(a), pergunte-se vez ou outra: Como anda o meu relacionamento? Estou fazendo o meu parceiro tão feliz quan to gostaria? Em quê eu poderia melhorar? Em quê ele poderia melhorar? Acredite, responder a essas perguntas acarretará na melhoria do seu namoro, e no aumento de suas felicidades.

Quando escuto as pessoas falarem de amor, me pego pensando se o conceito deles é o mesmo que o meu. Por vezes, me desaponto ao ver que não, mas entendo que nem todos os relacionamentos são tão saudáveis como o meu.

Um amor companheiro não é aquele que te oferece somente companhia. Na verdade, companhia e presença são o mínimo, a não ser que seja um namoro à distância. Um amor companheiro é um amor amigo, que escuta as tuas lamentações e te ajuda a crescer.

Amor é quando a gente erra por um segundo, reconhece logo em seguida, e te enche de perdões minutos depois. É quando reconhecemos quando cobramos demais um do outro, e quando sabemos a hora de reclamar ou de mimar. Amar é compreender, é querer conhecer o outro mais que a si próprio. É querer ver o crescimento de duas pessoas, como uma pessoa só.

Amar é precisar do outro e não pensar duas vezes, porque sabe que ele vai estar sempre aqui por você. Amar é acordar chorando de um pesadelo e ligar pro teu bem, esperando que ele te acalme. Amar é acordar ouvindo o teu amor chorando e se desesperar, querendo fazer algo pra reverter esse quadro. Amar é se dispôr, se doar e se entregar ao outro. Amar é parar o carro e dizer à transeunte na calçada: "EU AMO ESSA MULHER!". Amar é não se preocupar com o ridículo, em dizer uma piada sem graça, em falar algo que, as vezes, pode magoar, porque se é amor, no fim das contas, tudo vai ficar bem.

Amar é lidar com problemas habituais. Amar é planejar, é arquitetar o futuro. Amar é discutir por notícias cotidianas, pelo stress do dia-a-dia, amar é tão fundamental quanto respirar. Amar não significa beijar e abraçar quem se gosta. Essas são formas de demonstração de afeto - e de amor. Mas isso não resume o sentimento.

Amar não é só mais um verbo. Amar, pra mim, é tão fundamental quanto comer, respirar, estudar, caminhar, piscar os olhos... Amar é como viver. Mas viver de verdade, como se eu exalasse novos ares e perfumes a cada inspirar. Amar requer respeito, consideração, verdade, sinceridade, lealdade, fidelidade, honestidade, e outros "ades" a mais. Mas, mais que tudo, amar requer um coração puro, pois só um coração puro é capaz de abraçar um sentimento tão nobre e soberano quanto o amor.

É preciso, vez ou outra, cuidar dos nossos relacionamentos. Se é amor que você sente, cultive-o, e insista em demonstrar sempre à/ao sortudo(a) que você ama. Mas se for pra amar, seja verdadeiro(a). Do contrário, isso não é amor.




Obrigada por ter me apresentado a esse sentimento, até então, desconhecido. Eu te amo, Pinguas. :)